quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Estamos com fome de Amor.

Uma vez Renato Russo disse acrescido de uma sabedoria ímpar: Digam o que disserem, o mal do século é a solidão. Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
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Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!

Arnaldo Jabor.

10 comentários:

  1. Lis
    Lindo texto...adorei

    Beijinhos
    Sonhadora

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  2. O amor é o que nos alimenta. Por isso temos fome de amor.
    Amei.
    Beijos Lis.
    Boa Noite.

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  3. Surpresa boa este texto Lis, é bem verdadeiro, acho que o amor é essêncial, e deste amor simples mesmo, o que anda de mãos dadas, o que passa a mão no cabelo, o que não se envergonha de ser sensível, o que mesmo em público ama e ponto. Mas acredito que solidão seja parte do ser humano, ao menos temos de ter sim um momento só nosso, eu tenho minhas horas de solidão que resultam bem. A propósito tenho um trabalho aqui na sociedade portuguesa, e estudo também, as horas que estou na net é quando dou uma "escapadela", aproveito e solto as palavras nas teclas do meu pc portátil...abraço Lis até breve.

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  4. Só quem ama tem asas ama e caí de amor.
    Só quem ama dá um tempo para quem está com dores e precisa repousar.
    Renata

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  5. Adorei o teu texto Lis, é mesmo isso que está a acontecer. Lembro-me de dizer que não queria casar nem ter filhos quando tinha p´raí uns 14 anos... Agora as pessoas dizem isso quando têm 40! É natural essa situação? Mas será que também não existirá por aí algum medo de sofrer? De relações que possam não dar certo? Acho que de repente o ser humano achou ter-se transformado numa flor de estufa, que não suporta a palavra NÃO, e também está pronto a desitir à 1ª adversidade. BEIJINHO ESPECIAL DE TODOSOSDIAS.

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  6. Lis...

    adorei conhecer teu blog!!

    Que lindo!

    É tão bom quando isto acontece!!!

    Lhe convido para conhecer o meu cantinho, onde escrevo as minhas verdades com muitas garra, alegria, amor, e tudo o que me der vontade!

    http://olhardentrodosolhos.blogspot.com

    Beijos e ótimo final de semana!

    Ah....passo a lhe seguir!!!

    Bia Maia

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  7. Lis, meu querido!

    As pessoas esvaziaram-se, os valores tornaram-se medíocres e o amor erotizou-se, banalizou-se, adoeceu. A solidão nada mais é do que a triste consequência dos "sentimentos de ocasião" de hoje em dia.
    Sou ridícula por convicção. Amo, sou amada e quero mais é ser feliz.

    Beijos meus,
    Inês

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  8. Lis...ai que saudade de estar aqui no seu cantinho...como é bom, quanto coisa nova, e q texto é esse heim. perfeito. concordo com tudo q a Ines falou no comentario acima, assino embaixo...ja postei um texto parecido com esse, o assunto é o mesmo, a breguice do amor, a necessida d que esse amor despenque em nossas vidas pra ter alguem pra comer pipoca deitados juntos no sofa da sala...enfim, estamos todos com o coraçao na mao.
    nao vou me demorar aqui nos comentarios q vejo q tenho muita leitura boa logo abaixo, e preciso coloca-la em dia.
    bjussss Lis....obrigada por seus comentarios maravilhosos la no "do jeito que eu sou"...

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  9. Ontem tentei deixar um comentário sobre seu texto aqui, mas falhou ao postar... vou tentar reescrever.
    Mas aproveito aqui e agora para agradecer ter lido e apoiado meu comentário no blog da Renata. Senti-me duplamente honrado, por ter tido a atenção de ambos! Obrigado.

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  10. Estou propenso a acreditar e a concordar que somos seres solitários e ignoramos isto, assim como fugimos do assunto quando o tema é a própria morte, mesmo sendo esta a única certeza na vida.

    Somos sozinhos, mesmo cercados de gente. E por incrível que pareça, quanto mais multidão, maior a solidão.

    Por isto buscamos companhia, contatos, amizades, amores e prazeres. Alguns chamam de felicidade. São aqueles momentos que a solidão parece ter ido embora...

    Postei no blog Mesdre uma análise sobre dois filmes que abordavam justamente esta questão, de como fazer para conquistar seu amor ou a pessoa que lhe encanta, com técnicas e dicas ue muitas vezes funcionam (veja o post A Localização do amor).

    Entretanto, eu observava que pouco se comenta ou instrui para como se manter aquele estado alcançado, a companhia do amor conquistado, e a chama da paixão acesa.

    Mesmo amando e apaixonados, o amor tem intensidade, formas de expressão e tempos diferentes, vivenciados por cada um.

    Parece que, no fundo, procuramos preservar a natureza da principal característica do indivíduo que somos: a individualidade.

    E isto requer momentos de solidão, instantes consigo mesmo, a despeito de nossa carência cíclica e eterna, até vir a consciência dos seres solitários que cada indivíduo é.

    Enquanto houver esta relutância em reconheecer isto, seguiremos buscando nos outros "amor para toda a vida", mesmo que durem pouco...

    Não sei o que está errado: se esta visão, se o buscar nos outros complementos e almas gêmeas, se querer usar outros como espelhos para enxergar-se refletido, ou se o durar pouco.

    Mas sinto que a busca tem seu propósito. E é bom demais quando acontece! E triste (e às vezes até doloroso) quando ela prossegue. Mas tentar é preciso!

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